sexta-feira, 23 de maio de 2014

Petrobras confirma mais uma descoberta no pré-sal



A Petrobras concluiu o teste de formação do poço 1-SPS-98 (1-BRSA-1063-SPS), informalmente conhecido como Sagitário, localizado em águas ultraprofundas no pré-sal da Bacia de Santos.
Os resultados obtidos com o teste de formação comprovaram a boa produtividade da descoberta, que já havia sido informada ao mercado em fevereiro, quando o poço ainda estava em fase de perfuração. O teste ainda indicou que os reservatórios têm boa permeabilidade.
Esse é o primeiro poço perfurado no bloco BM-S-50 e está situado a 194 km do litoral de São Paulo, em profundidade de água de 1.871 metros.
O poço atingiu a profundidade final de 7.110 metros. A partir de 6.144 metros de profundidade foram constatados 159 metros de reservatórios do pré-sal com petróleo de boa qualidade (32º API).
O consórcio, operado pela Petrobras (60%) em parceria com a BG E&P Brasil (20%) e Repsol Sinopec Brasil (20%), dará continuidade às atividades previstas no Plano de Avaliação da Descoberta (PAD) aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
(Com informações Agência Petrobras de Notícias)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Reservatório de água é descoberto através de diamante brasileiro


Um diamante marrom, de aparência suja, sem valor comercial, encontrado no Brasil, abriga informações sobre os elementos que compõem uma camada de extensa profundidade no Planeta.
Segundo pesquisadores da Universidade de Alberta (Canadá), em estudo publicado em março na revista científica Nature, o diamante possui um mineral denominado ringwoodite, que absorveu uma quantidade significativa de água ao longo do tempo. A descoberta do mineral aponta que existem imensas quantidades de recurso hídrico aprisionados em uma zona entre 410 e 660 km abaixo da superfície, entre as camadas superior e inferior da Terra.
O ringwoodite é uma forma do mineral peridoto, que se acredita existir em grande quantidade sob enorme pressão debaixo da Terra. A pesquisa constatou também que 2,5% do peso do mineral correspondem à quantidade de água encontrada nele.
De acordo com Graham Pearson, da Universidade de Alberta, que liderou a pesquisa, a amostra fornece confirmações de que existem trechos úmidos no fundo da Terra. Esta zona, em particular, classificada como zona de transição, pode ter a mesma quantidade de água de todos os oceanos do mundo juntos. Esta água não está na forma de oceanos líquidos subterrâneos, mas aprisionada em minerais, esclarecem os cientistas.
O diamante, o qual foi formado nas profundezas do solo, foi descoberto no ano de 2008 em Juína, no interior do Mato Grosso. Neste local, os mineradores o encontraram entre o cascalho de um rio pouco profundo. Segundo relato dos pesquisadores, ele foi levado para a superfície do planeta por uma rocha vulcânica conhecida como kimberlito.
Os ringwoodites também têm sido visto em meteoritos. No entanto, esta foi a primeira amostra terrestre encontrada.
Já existem debates entre alguns especialistas sobre a composição da zona de transição da Terra e se está repleta de água ou não. Para os pesquisadores, indicar que existe água lá tem implicações direcionadas ao estudo do vulcanismo e das placas tectônicas.
Fonte: Pensamento Verde

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Se quiser, pega: helicóptero dos Perrellas deixou 50 kg de cocaína em hotel de São Paulo


Sempre que traficantes são presos no Brasil, aparecem líderes de quadrilha nos morros do Rio de Janeiro e, como evidência da riqueza deles, são exibidas imagens de sobrados em favela com banheira de hidromassagem, TVs de tela plana e bugigangas banhadas a ouro.
Numa das últimas operações, chamada pela Polícia Federal de “Durga”, a líder de uma quadrilha “interestadual” seria uma jovem de 18 anos, loira e bonita. A notícia saiu com destaque nos telejornais da Globo.
A loira, que está presa, aparece em imagens do circuito interno da rodoviária do Tietê, em São Paulo, e puxa uma mala de rodinha, onde haveria cocaína escondida em garrafas de vodca.
No caso da apreensão de 445 quilos de pasta base de cocaína em Afonso Cláudio, no Espírito Santo, a PF esbarrou em figuras bem mais proeminentes do que os chefes nas favelas do Rio ou a loira da rodoviária de São Paulo.
O helicóptero usado para transportar a droga pertence a um senador e a um deputado estadual, pai e filho, Zezé e Gustavo Perrella, grandes empresários em Minas Gerais.
Mas, segundo a Polícia Federal, eles não têm envolvimento algum com a quadrilha. E esta não é a única ponta desamarrada na história. Há uma escala da aeronave que foi simplesmente deixada de lado nas investigações.
A pista que nunca foi seguida surgiu de anotações feitas à mão pelo piloto Alexandre José de Oliveira Júnior, que indicavam os lugares onde o helicóptero deveria pousar na sua viagem para buscar pasta base de coca no Paraguai.
Numa das folhas, Alexandre anotou as coordenadas de satélite: – 23.06.44.7 e – 46.42.59.3. O GPS utilizado na viagem, que registra o trajeto do voo, confirma um pouso bem próximo dessas coordenadas: – 23.12.06.68 e – 46.71.34.09.
De posse dessas informações, confirmadas pela perícia, a Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo pediu o apoio de agentes do órgão em São Paulo.
O agente José Rebello Montenegro foi com mais dois colegas para o local indicado pela anotação e pelo GPS, no município de Jarinu, a 45 minutos de São Paulo.
Naquela época, a PF parecia ter pressa. A diligência foi feita no dia 27 de dezembro, dois dias depois do Natal.
Os policiais foram à prefeitura da cidade em busca de informações sobre o imóvel, mas encontraram tudo fechado. Era o recesso de fim de ano.
No cartório de Atibaia, que guarda os registros de imóveis da região, tiveram mais sorte. O órgão funcionou naquela semana entre o Natal e o Ano Novo, em que quase nada acontece, e ali descobriram que as coordenadas do GPS correspondiam ao maior complexo turístico da cidade, o Parque D’Anape.
O hotel, de propriedade dos irmãos Celso Antônio e Christiane Daud Pereira, funciona numa fazenda.
Em seu site na internet, o Parque D’Anape se apresenta como um hotel que proporciona a seus hóspedes uma estadia extremamente agradável. Cercado de montanhas, muito verde e pássaros silvestres.
O contato com a natureza não é a única vantagem que o hotel destaca. “Você desfrutará de apartamentos confortáveis, diárias com café da manhã, sem falar no carinho, atenção e aconchego que é oferecido pela nossa equipe”, informa.
O Parque D’Anape é também conhecido pelos shows que promove. A dupla sertaneja Bruno e Marrone esteve lá e está programada para o dia 23 de maio a Noite Portuguesa com o cantor Roberto Leal.
No relatório final da PF, entregue à Justiça federal, a delegada Aline Pedrini Cuzzuol recomendou mais investigação sobre o D’Anape.
– Se fazem necessárias diligências no local a fim de obter informações sobre a propriedade onde de fato ocorreu o pouso e depois proceder diligências ‘in loco’ e a oitiva dos respectivos proprietários.
A delegada deixou entre parênteses uma suspeita grave:
– Podem ser os proprietários da droga apreendida.
A recomendação da delegada até agora não foi atendida. Eu entrei em contato com a proprietária do Parque D’Anape, Christiane Daud Pereira.
Ela disse que não foi procurada pela polícia e negou que tenha havido pouso de helicóptero na propriedade. “É um absurdo, eu sou contra droga”, afirmou.
Mais tarde, o advogado dela me procurou para reforçar a negativa. “A posição é esta: não houve pouso de helicóptero”.
Numa entrevista que me concedeu, registrada em vídeo, o piloto Alexandre garantiu o pouso no hotel, informação confirmada pela anotação que fez ao planejar o voo.
No papel manuscrito, um detalhe chama a atenção. O piloto faz referência a dois carros que lha dariam apoio em Jarinu. Está escrito que um deles seria um Jeep verde, veículo que até pouco tempo circulava pelo Parque D’Anape como propriedade do marido de Christiane.
Alexandre afirma que a droga foi descarregada ali no dia 23 de novembro, sábado, antes que o helicóptero fosse para o Campo de Marte, em São Paulo, onde a aeronave pernoitou.
No dia seguinte, o helicóptero voltou ao hotel, recarregou a droga e partiu para o destino final, Afonso Cláudio, no Espírito Santo.
Segundo o piloto, no hotel ficaram cerca de 50 quilos de pasta base de cocaína. “Foram três sacolas pretas cheias e bem pesadas”, declarou.
Para um policial de São Paulo com experiência em investigação de narcóticos, a Polícia Federal encontrou uma mina de informações preciosas, mas não aproveitou a oportunidade.
Segundo ele, a PF abandonou o “garimpo” e deixou a investigação sob o risco de ir parar na lata do lixo por causa de uma suposta utilização de provas ilícitas – leia-se grampo.
Um exemplo é o que aconteceu depois que os agentes da PF em São Paulo levantaram informações sobre a escala do helicoca em Jarinu e encontraram o hotel fazenda Parque D’Anape. Ou seja, nada.
Do DCM

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dilma, Aécio e Eduardo, agora a conversa ganhou clareza

Autor: André Singer


Por um momento o debate político voltou a ter a nitidez anterior a 2002. Tudo começou com a frase, surpreendente pela franqueza, que o pré-candidato do PSDB Aécio Neves soltou a empresários em São Paulo. O neto de Tancredo disse estar “preparado para tomar as decisões necessárias, por mais que elas sejam impopulares” (Folha, 2/4). Dez dias depois, o coordenador do programa econômico do senador, Armínio Fraga, não só confirmou a declaração como deu algumas pistas do que ela significa (O Estado de S. Paulo, 13/4).

Outra quinzena transcorrida, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos principais formuladores da chapa Eduardo Campos-Marina Silva, reconheceu em um encontro na Globonews (26/4) não haver, entre os que pensam o programa da dupla socialista-sustentável qualquer diferença importante em relação à equipe tucana, no que diz respeito à economia brasileira.

Por fim, na véspera do Primeiro de Maio, a presidente Dilma Rousseff, provável candidata do PT, foi à TV responder aos adversários. Numa alusão clara à “coragem” aecista, Dilma prometeu que o seu governo “nunca será o da mão dura contra o trabalhador”.

O que está em jogo nos movimentos acima descritos é a posição das candidaturas majoritárias a respeito da necessidade de se fazer um ajuste de caráter recessivo no país em 2015. Há uma espécie de frente ampla capitalista em torno de tal perspectiva, que se expressa nas menções, cada vez mais comuns, às pretensas “dificuldades” que aguardariam o Brasil no ano que vem.

Segundo Armínio Fraga, na entrevista supracitada, é preciso adotar um controle estrito do gasto público, adotando-se, talvez até em lei, um limite de dispêndio em relação ao PIB. Não é difícil perceber que tal enxugamento reforçaria o combate à inflação pela via do corte de demanda, já em curso por meio dos juros altos que o BC determina, satisfazendo, assim, o anseio do mercado por um choque.

Também Eduardo Campos acha que “é imperioso recuperar a confiança dos investidores” (bit.ly/SiyI8Y). Embora se arrisque menos que Aécio no sincericídio, como convém a uma opção de centro, o compromisso do neto de Arraes não é muito diferente do assumido pelo neto de Tancredo. Haja vista a defesa que primeiro tem feito da independência do Banco Central.

Empurrada pela queda nas pesquisas, Dilma deu um passo na direção oposta ao anunciar que vai continuar a valorização do salário mínimo, reajustará a Bolsa Família e a tabela do Imposto de Renda. Tais medidas implicam aumento do gasto. Resta saber se tal disposição se aprofundará ao longo da campanha e, sobretudo, se tomará corpo no próprio governo, em caso de vitória. Seja como for, por agora a conversa ganhou alguma clareza.

André Singer é cientista político e professor da USP, onde se formou em ciências sociais e jornalismo. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Assista o filme de Pasolini: "Evangelho Segundo São Mateus"

O filme "Evangelho Segundo São Mateus", dirigido por Pier Paolo Pasolini e lançado em 1964, é um clássico. A história começa com o nascimento do Filho de Deus e ilustra como seus ensinamentos atraíram não apenas discípulos, mas multidões de fiéis. Veja os Fariseus, os mais antigos chefes da igreja judia, aprendendo com Jesus e conspirando para prendê-lo, feri-lo, humilhá-lo e, finalmente, crucificá-lo. Este clássico é uma magnífica interpretação da maior história já contada em todos os tempos. O filme segue de maneira fiel os textos de Mateus sobre todas as etapas da vida de Cristo, de seu nascimento à ressurreição. O Cristo pasoliniano, no entanto, é revolucionário, mais humano que divino, com muitos traços de doçura e que reage com raiva à hipocrisia e à falsidade dos homens. Assistam:


sexta-feira, 25 de abril de 2014

CORONEL QUE CONFIRMOU A EXISTÊNCIA DE TORTURA NA DITADURA FOI MORTO

Do UOL

 


O coronel reformado do Exército Paulo Malhães foi encontrado morto nesta manhã, 25, no sítio em que morava em Nova Iguaçu (cidade na Baixada Fluminense). O corpo apresentava marcas de asfixia, segundo a Polícia Civil.

Malhães prestou depoimento em março à Comissão Nacional da Verdade em que relatava ter participado de prisões e torturas durante a ditadura militar. Disse também que foi o encarregado pelo Exército de desenterrar e sumir com o corpo do deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971.
De acordo com o relato da viúva Cristina Batista Malhães, três homens invadiram o sítio de Malhães na noite desta quinta-feira, 24, à procura de armas. O coronel seria colecionador de armamentos, disse a mulher aos policiais da Divisão de Homicídios da Baixada que estiveram na propriedade.
Cristina disse que ela e o caseiro foram amarrados e trancados em um cômodo, das 13h às 22h desta quinta-feira, 24, pelos invasores.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, comentou a morte de Malhães.

"Soa estranho que, após essas revelações, o militar tenha sido assassinado. Estou entrando em contato com os ministros Ideli (SDH) e José Eduardo Cardozo (MJustiça) para pedir apoio da Polícia Federal na investigação", escreveu ela em sua página no Twitter.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Petrobras em dois pontos importantes: posicionamento no mercado e Pasadena

Para que o leitor mais cuidadoso formule sua opinião sobre a Petrobras (sem os apupos catastróficos dos oposicionistas ou os febris aplausos dos governistas) seguem, abaixo, posicionamentos de Graça Foster (Presidente da Petrobras) sobre os temas "situação financeira atual e futura" da empresa e "Pasadena". As declarações foram feitas ao Senado, em Audiência Pública, na última terça-feira, 15/04.



Graça compara resultados da Petrobras aos das grandes majors do setor de óleo e gás

"Pelo 22º ano, nós temos descoberto mais do que produzido. Isso é muito significativo em termos de segurança energética e rentabilidade para o Brasil e para a companhia", disse Graça Foster, ao comparar o nosso desempenho ao de outras grandes empresas do setor, conhecidas como "majors". "Temos relação produção/reserva de 20 anos; enquanto companhias como  Exxon, BP, BG, Chevron, Shell têm relação de 15 anos em média", afirmou.

Segundo a presidente Graça, enquanto estas empresas perderam, em média 16% da sua produção de petróleo nos últimos anos, tivemos crescimento de 7%. "Não estou falando de gás, isso é só petróleo", esclareceu. "Nossa produção é crescente, nós vamos atingir os 4,2 milhões de barris de petróleo por dia em 2020", informou. "Se olharmos de 2002 a 2013, a Petrobras teve um crescimento de 34%, são mais 532 mil barris de petróleo por dia, e as outras, as majors, tiveram uma perda de 320 mil barris de petróleo por dia".

Ainda segundo Graça, o petróleo, que é mais valorizado, representa 86% da nossa produção total. Nas demais majors, o percentual é de cerca de 56%, informou.

Em relação ao lucro líquido, comparados os anos de 2012 e 2013, a Petrobras teve ganho de 1%, enquanto a Exxon teve perda de 27%, a Chevron de 18%  e a Shell de 39%.  "Por que essas empresas perderam? Queda de produção, queda de mercado, os custos elevados. Este é um grande problema de todos nós operadores da indústria de petróleo e gás", declarou.

A presidente seguiu explicando que o mercado brasileiro de derivados cresceu 3% entre 2012 e 2013. "Nós temos praticamente 100% desse mercado e, com um pequeno movimento no preço do diesel e da gasolina, temos um grande resultado na companhia. Manter esse mercado é muito importante", disse.
"Na venda de derivados, a Exxon perdeu 5% do seu mercado, a Chevron, 2%, Shell, 1% e a BP perdeu 2%. Elas têm uma grande atividade nos Estados Unidos e na Europa e o mercado desses países reduziu com a crise mundial", informou.

O valor de investimento da Petrobras, de 91 bilhões de dólares nos anos de 2012 e 2013, também é superior ao investido pelas outras companhias, de acordo com a presidente.

"Chamo a atenção para o fato de que em 2014 a nossa dívida para de crescer porque nossa produção de petróleo cresce, nossas duas refinarias vão produzir mais diesel e mais gasolina, e trabalhamos para que haja convergência de preços no Brasil com os preços internacionais", declarou. "Nossa dívida é voltada para o crescimento e em 2015 teremos fluxo de caixa positivo", acrescentou.




Graça explica aquisição da refinaria de Pasadena

Maria das Graças Silva Foster, esclareceu detalhes sobre a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo ela, o planejamento da compra foi feito numa época em que era necessário ampliar nosso parque de refino.

Sobre os valores envolvidos no negócio, foram desembolsados US$ 554 milhões com a compra de 100% das ações da PRSI-Refinaria e US$ 341 milhões por 100% das quotas da companhia de trading (comercializadora de petróleo e derivados), totalizando US$ 895 milhões. Adicionalmente, houve o gasto de US$ 354 milhões com juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com a Astra. Desta forma, o total desembolsado com o negócio Pasadena foi de US$ 1.249 milhões.

Graça Foster explicou ainda que a Comissão de Apuração Interna instaurada em março para analisar os processos de compra da refinaria, apurou, até o momento, que a Astra não desembolsou apenas US$ 42,5 milhões pela refinaria, como tem sido noticiado, mas sim um valor estimado em US$ 360 milhões, sendo US$ 248 milhões pela refinaria e estoques mais US$ 112 milhões de investimentos realizados antes da venda à Petrobras.


Cronologia
A presidente apresentou uma cronologia das negociações. Explicou que o Conselho de Administração aprovou em 2006 a compra de 50% de participação em Pasadena, pelo valor de US$ 359 milhões, e que a análise dos dados na época demonstrava que tratava-se de um bom negócio, alinhado ao planejamento estratégico vigente. Graça acrescentou que as margens de refino naquele momento eram altas e que processar petróleo pesado do campo de Marlim e transformá-lo em derivados (produtos de maior valor agregado) permitiria capturar melhores margens, estratégia esta respaldada por duas consultorias de renome. “Pasadena é uma refinaria de 100 mil barris por dia, está localizada num dos principais hubs de petróleo e derivados nos Estados Unidos, um dos maiores mercados mundiais de derivados, está num local onde varias refinarias têm um conjunto de operações, favorecendo essa movimentação de carga e a parceria entre refinadores.”, ressaltou.

Graça confirmou que o resumo executivo apresentado ao Conselho de Administração naquela ocasião não citava as cláusulas de “Put Option” e “Marlim”. “Não havia menção às duas cláusulas, extremamente importantes neste negócio. Não houve citação, nem intenção manifestada, da compra dos 50% remanescentes da refinaria de Pasadena”, esclareceu.

A partir de 2007, houve desentendimentos entre os sócios em relação à gestão da refinaria e, em dezembro daquele ano, firmou-se com a Astra uma carta de intenções para a compra dos outros 50%. Em março de 2008, a diretoria da Petrobras submeteu a proposta de compra ao Conselho de Administração, que não a autorizou. A Astra exerceu sua opção de venda (put option) e assumimos o controle da integralidade da refinaria ainda em 2008. Em 2012, houve uma negociação final entre as partes, classificada pela presidente como “completa e definitiva”.

Desde 2006, ressalvou a presidente, houve diversas alterações no cenário econômico e do mercado de petróleo, tanto brasileiro quanto mundial, como a crise econômica de 2008, que reduziu as margens de refino e o consumo de derivados, e a descoberta do pré-sal, nos levando a rever nossas prioridades. Em março de 2009, as margens de refino caíram por conta da crise. "O consumo de gasolina, que é o que Pasadena produz, nos Estados Unidos, caiu 1 milhão de barris", informou. "Diversas refinarias fecharam". Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido, que totalizou US$ 1.249 milhões. Graça ressaltou, no entanto, que hoje temos um ativo de qualidade, com um parque de refino que opera com segurança, e vem dando resultado positivo neste ano.  “Além da melhor performance operacional, temos o petróleo não convencional, leve, de xisto, que chega à nossa refinaria e se traduz em resultado positivo”, afirmou.




sexta-feira, 11 de abril de 2014

Papiro sobre Jesus não é fraude moderna, diz Harvard


Após estudar um fragmento de papiro conhecido como o "Evangelho da Esposa de Jesus", que causou um alvoroço quando revelado por uma historiadora da Escola de Divindade de Harvard em 2012, cientistas concluíram que a tinta e o papiro são muito provavelmente antigos, e não uma falsificação moderna, informou nesta quinta-feira o jornal New York Times. Os resultados da pesquisa foram publicados hoje no periódico Harvard Theological Review.
De acordo com o NYT, o ceticismo sobre o papiro é grande porque ele contém uma frase nunca vista nas Escrituras: "Jesus disse a eles, 'Minha mulher (...)'". O papiro também apresenta as palavras "ela poderá ser minha discípula", frase que inflamou o debate em algumas igrejas sobre se as mulheres podem ser sacerdotisas.
Segundo a reportagem, o fragmento de papiro foi analisado por professores de engenharia elétrica, química e biologia das universidades de Columbia e Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Eles relataram que o documento parece com outros papiros antigos, datados do quarto ao oitavo século.
Os resultados das investigações não provam que Jesus tinha uma esposa ou discípulas, salientou o jornal, acrescentando, no entanto, que os estudiosos concordaram que o fragmento é mais provavelmente um trecho de um antigo manuscrito do que uma farsa. Karen L. King, a historiadora da Escola de Divindade de Harvard que tornou o papiro conhecido, já havia dito que ele não deve ser considerado como prova de que Jesus se casou, mas sim de que os primeiros cristãos discutiam temas como celibato, sexo casamento e discipulado.
Contudo, nem todos concordam sobre o resultado da investigação, salientou o jornal. O Harvard Theological Review publicou não só o artigo de Karen e outros cientistas nesta quinta-feira, como também uma refutação por Leo Depuydt, professor de Egiptologia da Universidade de Brown, que declara o fragmento tão visivelmente falso que "parece pronto para uma esquete do (grupo de humor) Monty Python".

terça-feira, 8 de abril de 2014

ENTREVISTA DE LULA AOS BLOGUEIROS



O site Brasil 247 separou por tópicos a entrevista de quatro horas de Lula a blogueiros. A entrevista foi transmitida, em tempo real, pela internet.
Lula defendeu uma Constituinte exclusiva como "única forma de fazer a reforma política, que é a mais importante de todas".
Questionado sobre ligações do vice-presidente licenciado da Câmara Andre Vargas com doleiro Alberto Yousseff, disse que o parlamentar "tem de se explicar".
Segue o "resumão" tirado do site Brasil 247

PETROBRAS - Sobre a Petrobras, o petista mencionou interesses políticos de quem quer criar a CPI no Congresso - gente que "nunca quis criar CPI, para nada" - e afirma que "não adianta comparar" o valor que a empresa tem hoje e durante o governo FHC. "Se ela vale R$ 98 bilhões hoje, ela valia R$ 15 bilhões durante o governo FHC", lembrou Lula. "O que as pessoas não aceitam? Que a gente fez o regime de partilha", acrescentou, sobre o modelo de extração de petróleo adotada para o pré-sal. "E muitos desses queriam privatizar a Petrobras há pouco tempo", atacou ainda o ex-presidente.
Lula reclamou mais ações do PT e de setores do governo em defesa da atual gestão. "Tem de levantar a cabeça e enfrentar para valer o debate político", conclamou. "Por exemplo, cadê o blog da Petrobras, que foi tão importante em 2009?", perguntou Lula, referindo-se ao período em que a estatal reproduzia em sua página na internet pedidos de entrevistas de jornalistas. Era a forma, na ocasião, de furar bolhas de especulação feitas por meio da mídia. O ex-presidente comentou sobre a recente queda nas ações da Petrobras: "Bolsa é assim mesmo. Mas ela não pode ser medida só pela bolsa, gente. Ela tem que ser reconhecida por seu conhecimento tecnológico".
CRESCIMENTO - "O País não está crescendo ao ritmo de 5% ao ano, mas faz onze anos que esse governo gera empregos e aumenta a massa salarial. Em que lugar do mundo isso está acontecendo?", questionou. Ele recordou seu tempo de sindicalista, "quando a inflação era de 80% ao mês, não era ao ano não", frisou. "Mas agora vejo o mesmo ministro daquele tempo (Maílson da Nóbrega) reclamando que a inflação está indo para o topo da meta. Ora, eu gostaria que a inflação ficasse em 2%, mas prefiro que se crie empregos do que, como pediram alguns, haja desemprego para combater a inflação".
Lula foi além. "Hoje dizem que falta mão de obra qualificada", registrou. "Que ótimo, porque vinte anos atrás engenheiro tinha de trabalhar fora do país, não tinha o que fazer aqui dentro. Agora, precisamos formar engenheiros". Ainda falando sobre a economia brasileira, o petista disse que "a imprensa não sabe o que está acontecendo no País". Ele ressaltou que a economia está aquém do que ele gostaria, e do que Dilma gostaria, e questionou: "mas quem está na frente do Brasil? O que nós fizemos em 11 anos, algumas revoluções não fizeram em 20", declarou.
CAMPOS – "Tenho uma belíssima relação com o [pré-candidato à presidência] Eduardo Campos, e já tinha uma boa relação com o avô dele, Miguel Arraes. Sou agradecido por tudo o que ele fez no meu governo. Eu lamentei que ele tenha se afastado da base para ser candidato da oposição. Eu não entendo por que ele adiantou o processo. A Marina eu entendo, porque me lembro das divergências que havia quando ela fazia parte do meu governo, o Eduardo eu não compreendo".
ANDRÉ VARGAS – Ele tem que explicar para a sociedade, porque não tem sentido. Ele é vice-presidente de uma instituição importante, a Câmara dos Deputados, e eu acho que quando você está num cargo desse, você tem que ser exemplo. Eu espero que ele consiga provar e convencer a sociedade que não tem nada além da viagem [com o doleiro Alberto Youssef], o que já é um erro. Eu espero, eu torço, porque quem paga o pato é o PT.
SAÚDE - Questionado sobre os problemas na área da saúde, Lula foi firme ao dizer que "não existe possibilidade de dar saúde de qualidade sem recursos". A declaração foi feita depois de uma crítica sobre o fim da CPMF. "A saúde custa caro, o médico custa caro, precisa de equipamentos e laboratórios para que todos tenham acesso. E o SUS é motivo de orgulho para o País", disse o petista. Ele criticou ainda que só são divulgadas "coisas ruins" da saúde. "Só vão atrás de quem está morrendo, ninguém tira foto de quem sai com vida. Mas tem muita coisa boa na saúde também", disse.
ELEIÇÕES NO RIO - Ao responder uma pergunta feita pelo Twitter sobre as eleições no Rio de Janeiro, Lula afirmou, sobre a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) no estado: "Eu acho que é para valer". O ex-presidente, que ressaltou ter uma "profunda relação" com o candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão, acrescentou que Lindbergh "não tem nada a perder, só tem a ganhar". "Ele acha que é o momento dele, e eu acho que ele é um candidato bom, pode tomar cuidado que ele vai crescer e pode até ganhar as eleições", analisou.
CRÉDITO - Lula também comparou o acesso de crédito que o País tem hoje e tinha em 2002, quando ele venceu pela primeira vez as eleições presidenciais. "Em março de 2002, o Brasil só tinha R$ 380 bilhões disponibilizados para crédito em todo o sistema financeiro. Hoje, esse mesmo Brasil tem R$ 2,7 trilhões. Hoje, o pobre consegue chegar no banco e pegar dinheiro sem ser visto como bandido. Esse Brasil nunca ficou tão orgulhoso de si como nos últimos 11 anos", disse.
REFORMA POLÍTICA - O ex-presidente apresentou suas ideias para uma reforma política. "Estou convencido de que só uma Constituinte exclusiva pode fazer a reforma política", cravou ele. "Eu sinceramente acho que não tem outro jeito", acrescentou. "Esse Congresso não fará, não tem condições de fazer, seria contrariar sua natureza", opinou Lula. Para ele, "a reforma política é a mais importante de todas". O petista defendeu que é preciso "mudar o sistema de representação" no País.
FINANCIAMENTO DE CAMPANHA - Lula foi específico em defender o financiamento púbico de campanhas, cláusula de barreira para a criação de partidos -- "o que não pode é meia dúzia de pessoas criarem o seu" - e o conceito de um voto por cidadão. Com isso, Estados pequenos perderiam representação na Câmara dos Deputados, mas os maiores como São Paulo e Minas teriam suas bancadas aumentadas. "Isso hoje não passa porque quem está lá está acostumado assim, mas essa regra, vigente até hoje, é do tempo do Geisel", reclamou.
'MENSALÃO' – "Eu só quero que a verdade venha à tona. A história do mensalão vai ser recontada nesse País, e se eu puder, eu vou ajudar a fazer ela ser recontada. Não vou julgar ninguém, mas não é possível que em mãos de 500 deputados não tenha aparecido nenhuma que recebeu mensalidade", disse Lula. "Como é que uma CPI que começou por conta de R$ 3 mil nos correios terminou no mensalão?", questionou. "Eu acho que nós vamos ter de contar essa história sem pressa.
INDIRETA PARA GLOBO - "Eu cansei de ver dizerem que aquilo foi a maior história de corrupção que já existira nesse País, sem dar os números. Mas depois apareceu uma quantidade de sonegação de impostos quer era muito maior do que tudo o que se falava. Eu tenho mais idade do que vocês, aprendi que a gente não deve ficar nervoso", concluiu o ex-presidente, com ironia. "Mas não vamos abaixar a cabeça. Se você abaixa a cabeça, aprendi isso com a minha mãe, eles colocam uma cangalha em cima".
CONSELHO PARA GUIDO - "Eu falei para o [ministro da Fazenda], Guido Mantega: 'medidas na economia têm de ser explicadas em rede nacional. E a Dilma não tem tempo, vai você. Tem de falar'. Diziam que eu falava demais durante o meu governo, e eu acho isso ótimo. Porque falava mesmo, para mostrar a verdade. Se eu não falasse, quem iria falar por mim?", questionou.
MÍDIA NO MENSALÃO - No caso do mensalão, o massacre foi apoteótico. Eu não vi essa gritaria no caso de Minas. Então são dois pesos, duas medidas. Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros. Deveria ser assim para todos. Eu acho que o que está acontecendo com o Zé Dirceu é um abuso muito grave, eu acho que ele deveria estar em prisão domiciliar.
SOBRE JOAQUIM BARBOSA E STF - "As pessoas perguntam: você se arrependeu de indicar o [presidente do STF, Joaquim] Barbosa? Eu digo: não. Porque na época não havia o mensalão, não o indiquei pra julgar o mensalão. Eu indiquei porque eu queria um advogado negro na suprema corte. O comportamento dele é de inteira responsabilidade dele. Eu acho que a suprema corte tem que se pronunciar nos autos do processo. Eu não posso ficar falando de você o que vou fazer com você, preciso pegar os autos e decidir. Alguns inclusive mentiram", declarou Lula. Ele também se pronunciou sobre "a teoria do domínio do fato", segundo ele, "um achado extraordinário". "Você é pai daquela criança que fumou maconha, você tinha que saber", exemplificou.
COPA E OLIMPÍADA – "A Copa do Mundo vem ajudar a gente a fazer uma coisa agora que só seria feita no futuro. Os aeroportos estão acontecendo, as obras de infraestrutura estão acontecendo, o Galeão, o Viracopos. Lula definiu: "a Copa do Mundo no Brasil é um encontro de civilização entre nós. É mais do que o dinheiro. Milhares de pessoas virão conhecer esse país, comer a comida desse país. É mais do que futebol, é trazer para cá o mundo esportivo".

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Documentário sobre disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista está liberado na Internet. Confira!

Dossiê Kavernista – A história perdida do álbum “A Sociedade da Grã-Ordem Kavernista”
Sinopse: O presente documentário visa trazer à tona uma parte perdida da história da música popular brasileira. O álbum “A sociedade da grã-ordem kavernista apresenta sessão das dez”, traz consigo a história de um momento criativo e vanguardista da produção musical brasileira, mas que, por motivos diversos, passou anos no ostracismo.
Tema, gênero e proposta: O filme “Dossiê Kavernista – O disco perdido de Raul Seixas, Sergio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada”, é um documentário de média-metragem (55 minutos), que, a partir de entrevistas com músicos e pesquisadores musicais, procura remontar a história da produção do LP “A Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez” – disco vanguardista, idealizado e produzido por elo então produtor musical Raul Seixas –, onde, a partir de diversas influências musicais do início dos anos setenta – dentre elas o Tropicalismo –, produziu um disco que satirizava o momento cultural e político no Brasil; mas que, por diversos motivos, acabou sendo censurado pela própria gravadora, caindo no ostracismo, durante quarenta anos.

quarta-feira, 26 de março de 2014

A história falsificada de ‘Veja’

A Veja datada de 26/3 (edição 2.366) tenta uma reportagem especial sobre o golpe de 64. Não conseguiu produzir nada relevante para a historiografia do período. Até aí, paciência. Mas também apresenta falsificações.
Na linha do anticomunismo boboca, escreve que Luís Carlos Prestes (nem souberam grafar corretamente o nome do homem), “(...) apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas depois de ele ter deportado sua mulher, Olga Benário, para os nazistas” (...).
PCB propunha Constituinte
Quem consultar o Dicionário Histórico-Biográfico da Política Brasileira, do CPDOC, que oferece acesso gratuito pela internet, encontrará no verbete dedicado a Prestes, de autoria de Alzira Abreu e Alan Carneiro, formulação diferente. Prestes, em nome do PCB, propunha a convocação de uma constituinte com a manutenção de Getúlio no poder e em seguida eleição para presidente da República.
O raciocínio dos comunistas se provou acertado. O marechal Dutra foi eleito presidente da República no mesmo dia em que se elegeram deputados federais e senadores. Esses, reunidos em assembleia unicameral, votaram a Constituição, promulgada em setembro de 1946. Em maio de 1947, o registro eleitoral do PCB foi cassado. Em janeiro de 1948, os mandatos de todos os seus parlamentares: Prestes (senador), 13 deputados federais, deputados estaduais, vereadores e prefeitos (como o de Santo André, Armando Mazzo).
O país ficou com uma democracia capenga.
Prestes e o PCB não apoiaram “o Estado Novo”, é falsificação da história escrever isso.
Prestes era mau político. Em português claro, um desastre. Mas não era burro.

O ano da passeata:

“Em 1968, quatro anos depois do golpe, a indignação popular saiu às ruas do Rio depois do assassinato, pela Polícia Militar, de um estudante de 18 anos. O protesto entraria para a história como a Passeata dos Cem Mil e foi abençoado por dom Jaime Câmara, o mesmo cardeal que, anos antes, louvara os militares vitoriosos.”
 
Tudo bem que a Veja, tendo começado a ser publicada em setembro de 1968, não disponha em seus próprios arquivos de material sobre os meses anteriores daquele ano. Mas bastaria ter consultado, entre centenas de outras fontes possíveis, o notável Nosso Século (v. 5, 1960/80), da Abril Cultural, para aprender que:

Alguns fatos também saíram lascados da reportagem especial da Veja, onde se lê que 1. O secundarista Edson Luís de Lima Souto foi morto pela PM em 28 de março de 1968 e o protesto maior contra sua morte consistiu numa passeata de 60 mil pessoas que saiu da Assembleia Legislativa do então estado da Guanabara, no Centro do Rio de Janeiro, e terminou no cemitério de São João Batista, em Botafogo (Nosso Século dá 50 mil pessoas; jornais da época deram 60 mil). O enterro foi no dia seguinte ao do assassinato, portanto em 29 de março.
2. Entre esse episódio e a Passeata dos Cem Mil, realizada em26 de junho, houve centenas de outros atos políticos em todo o país. Entre eles, alguns, importantes, de sindicatos operários. Dispenso-me de enumerar os episódios.
A passeata foi um sucesso. Veja a foto da primeira página do Globo.



Agora, não sei de onde a Veja tirou a informação de que o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime de Barros Câmara, “abençoou a passeata”. Lembro-me muito bem, sim, da posição do inesquecível bispo auxiliar dom José de Castro Pinto, falecido há poucos anos, homem de convicções muito firmes que liberou religiosos para ir à manifestação (na foto pequena do Globo veem-se freiras), modo de tentar protegê-la de algum tipo de repressão violenta que, felizmente, naquele momento, não ocorreu. E do padre Vicente (Vincenzo) Adamo, apoiador do movimento estudantil, que havia pertencido à Resistência italiana contra o invasor nazista durante a Segunda Guerra.

Por: Por Mauro Malin (publicado, originalmente, no Observatório da Imprensa)

GRAÇA FOSTER FALA SOBRE PASADENA

GRAÇA FOSTER CONCEDE ENTREVISTA AO JORNAL "O GLOBO" E RESPONDE SOBRE O CASO PASADENA. 



O GLOBO:Qual foi sua reação quando a presidente Dilma disse que a compra da refinaria de Pasadena, em 2006, foi baseada em relatório com falhas?
Eu entendi que a presidenta e o conselho sentiram falta de mais informações. Esse é o ponto. O resumo executivo, que é um resumo para o executivo, ao ser elaborado, a gente deve colocar todos os pontos que são pontos de atenção do processo. E foi sentido falta de mais informações. Não fiquei chateada e não fiquei surpresa. Compreendo que, muitas vezes, a gente demanda mais informações. Foi dessa forma que compreendi a questão. No resumo executivo, não consta a cláusula Marlim, que trata da rentabilidade, e não consta o put option, que trata da saída da outra parte da companhia. Esses resumos executivos ficam anexados à ata. São documentos confidenciais.

E isso seria normal?
Aí, depende do diretor que está elaborando o resumo e de quão relevante é. A cláusula Marlim é relevante, mas não teve a revamp (modernização) da refinaria. E, por isso, não teve efeito. A put option é absolutamente comum, mas distinta para cada ativo. Ela não é igual. É específica. E isso não fez parte do resumo executivo.

Foi uma falha em termos de informação?
Eu não era diretora na época (2006) e não sei quanto falta fez. Mas não pode tratar a put option de forma genérica.

Como é feito hoje?
Da mesma forma que antes. É impossível para a presidente da companhia, ao receber o resumo executivo que se prepara para encaminhar ao CA (conselho de administração), conseguir antever todos os elementos a estarem no resumo executivo. Cabe ao diretor da área tomar posição e colocar ali quais são os pontos relevantes para que o conselho possa se posicionar com conforto e que traga segurança para todos.

O que decidiu sobre Pasadena?
Ontem (segunda-feira), tomamos a decisão de abrir uma comissão de apuração interna na Petrobras sobre Pasadena. Fui eu que abri. Isso é extremamente importante para esse caso. Temos até 45 dias para poder nos manifestar em uma série de processos que já estávamos em avaliação de forma administrativa. Eu já vinha tratando disso, pois sou a diretora da área internacional e fiz várias mudanças na busca de melhorias. Essa comissão não foi aberta para saber se a cláusula devia ou não estar no resumo executivo. Entendo que a demanda do conselho de administração é correta e justa e precisa ter informações. Não é preciso fazer uma comissão de 45 dias para se chegar a conclusão sobre a importância de tê-las no resumo executivo. É muito importante que se saiba que a Petrobras tem comando. A Petrobras é uma empresa de 85 mil funcionários e tem uma presidente. Sou eu. Eu respondo pela Petrobras. Temos uma diretoria colegiada que trabalha pela busca da melhoria. E o que precisa ser investigado é investigado nessa empresa. Esse é o ponto fundamental. Aqui, tem normas, procedimentos e ela investiga.

Qual foi a gota d’água para essa decisão?
Foi um somatório de fatos. As últimas discussões sobre a relação eventual do diretor Paulo Roberto (ex-diretor) com Pasadena. Eu descobri ontem (segunda-feira) , não sabia que existia um Comitê de proprietários de Pasadena no qual o Paulo Roberto era representante da Petrobras. Esse comitê era acima do board. Depois que entramos em processo arbitral esse comitê deixou de existir.

Qual era a função desse comitê de proprietários?
Não sei ainda e esse é um ponto que a comissão está procurando, quais eram os estatutos, quais eram as atribuições, qual era o poder e onde estão as datas. Eu não sei nada.

Como a senhora reagiu a descoberta da existência desse Comitê de proprietários?
Fui surpreendida com essa informação. Eu tenho sim que buscar a informação.
Ter descoberto a existência desse comitê de proprietários, leva à alguma suspeita de irregularidade?
Nada quer dizer que possa ter havido qualquer ato falho, negativo, prejudical à companhia. Mas eu não posso. Pelo fato de ter havido esse comitê e o Paulo (Paulo Roberto) estar nesse comitê não significa que esse comitê não tenha executado as melhores práticas.

Como a senhora se sentiu ao descobrir esse comitê?
Eu não posso saber disso dois anos depois de estar na presidência da Petrobras. Eu não posso ser surpreendida com informações que me dão o desconforto necessário para que eu busque uma comissão para apuração.

Todas as informações da companhia são registradas?
Os processos da companhia são escritos e vimos num processo de melhoria sistemática. Eu tenho na área Internacional junto a área de novos negócios um procedimento de rastreabilidade de documentação. São as lições aprendidas, é preciso tropeçar para poder cuidar. Na grande maioria, na totalidade da companhia.

Mas as cláusulas precisavam estar no resumo executivo?
Uma coisa que é importante é a segurança que o diretor e o presidente passa em relação aquelas pautas. No caso de Pasadena, houve outras questões a posteriori. Então, quando você volta e procura a documentação do resumo e não esta ali, isso causa o desconforto. Eu não estava nessa reunião de diretoria. A forma que nós passamos para o Conselho dá respaldo. É impossível detalhar no resumo dezenas de pontos. Às vezes centenas de observação, ficaria algo não operacional.

Pasadena já vinha sendo analisado de forma administrativa. O que mudou agora?
Quando assumi a diretoria internacional de fato, passei a tratar os procedimentos internos. Trouxemos o máximo de discussão para minha mesa e dos gerentes executivos. Mudamos gerencias, buscamos informações em relação a Pasadena e trabalhamos o desinvestimento. Com os fatos recentes apresentados na imprensa, eu não posso conduzir mais administrativamente como diretora e com os gerentes executivos a questão de Pasadena. Foi preciso, a luz dos fatos recentes, que buscássemos a comissão para que apurasse internamente todos os pontos, documentais inclusive.
Em 2008, o conselho não recomendou comprar os 50% restantes e o caso foi para arbitragem...
O conselho remeteu o assunto para a diretoria executiva, que tomou a decisão de não aprovar e entrar na arbitragem. E entendo que foi uma decisão correta entrar na arbitragem. Eu tinha entrado na diretora em setembro e essa decisão foi em outubro de 2008. Foi na sequência.

Mas Pasadena foi um erro?
Eu preciso da comissão de avaliação. Quando você faz uma fotografia da relação que se buscou com a Astra de parceria numa refinaria no Golfo, e o que tenho de informação antes de fechar a comissão, espero poder continuar afirmado é que foi um negocio potencialmente adequado para a companhia. Não tenho bola de cristal para saber como será a economia. Cláusulas contratuais precisam ser avaliadas sim e explicitadas em algum nível ao conselho. Quando se trata da aquisição de 50%, pois foi uma parceria entre Petrobras e Astra, com valores da época e projeções da margem da época, foi um negócio que se mostrava potencialmente atrativo. Com a mudança da economia e das aplicações das fórmulas de put option, da negociação, dos valores que se apresentaram e com a queda absurda de margem, não seria um projeto que a gente repetiria.

Como viu a prisão de Paulo Roberto Costa, investigado por envolvimento com lavagem de dinheiro. E as suspeitas de superfaturamento em Abreu e Lima?
Tudo é surpreendente. E nos deixa muito reativos no sentido de que somos uma empresa de 85 mil empregados. De uma empresa que tem uma dedicação inquestionável às causas da companhia. E estamos em pé e trabalhando dedicadamente independente de questões que nos entristecem e que nos deixam tão apreensivos. Num caso desse que entendo que vai ser julgado, e não sei qual é a situação do ex-diretor, um caso desse não representa a Petrobras, definitivamente. Então, a gente espera como vai ser o desdobramento. O ex-diretor, quando julgado, não representa a Petrobras. Com certeza, me surpreendi. E tenho dito à companhia que estamos em pé trabalhando fortemente num ano de prosperidade da Petrobras, pois o ano de 2014 é o ano de prosperidade. Trabalhamos tanto para o aumento de produção, para que a Rnest (Refinaria Abreu e Lima) tenha os custos controlados. Ha dois anos que a gente pega a Rnest pelo pelo e segura a Rnest para controlar os custos. No Comperj, fizemos dezenas de simplificações para que coloque o Comperj em pé. É algo que emociona.

Terá auditoria em Abreu e Lima?
Não fizemos auditoria na Rnest. Do que acompanhamos, temos respondido aos órgãos de controle. E não há materialidade hoje que justifique auditoria na Rnest. Há uma semana vínhamos conduzindo Pasadena administrativamente. E decidimos ontem criar uma comissão. Tenho que ter absoluta segurança no que falo. E quando eu não tenho a segurança do que estou falando eu não posso mais usar os processos que vinha usando.

Essas questões afetam o corpo técnico da companhia?
Há que se respeitar o corpo técnico da Petrobras. Tem que apurar tudo que é pratica que ocasiona questionamentos. É uma empresa que busca a verdade. E é isso que vemos essa discussão toda nesse momento. E estamos disciplinadamente respondendo a todos e a tudo. Estamos falando de processos que estão sendo investigados. Quando a gente vê a presidenta Dilma e essa questão em relação a Pasadena, é um processo em que se fez o questionamento de uma documentação. Mas quantos processos adequados a companhia tem? Milhares de processos. Por isso há que se respeitar a Petrobras, há que se reconhecer a força da corporação e a sua organização.

Até o momento nada indica irregularidades em Pasadena?
Nada. Mas eu não posso não saber de alguma coisa nesse momento em relação a Pasadena. Eu não aceito, e daí vem minha indignação

A senhora está indignada por descobrir desconhecer várias coisas no caso de Pasadena?
Eu sou a presidente da companha em cima de um caso que é delicado. Não aceito descobrir que estou falando um número e o número correto é outro (valor pago nos 50% iniciais), e nem aceito tratar um assunto em que me venha um comitê, um board de representantes das partes (Petrobras e Astra) que eu não saiba. E eu não aceito isso de jeito nenhum. E não fica pedra sobre pedra, não fica. Mas não fica, não fica. Pode ficar incomodado.

Todas essas denúncias estão atrapalhando o dia a dia da companhia?
O dia a dia da empresa é de crescimento da produção. Estamos trabalhando para que a auto-estima esteja lá em cima. Mas sem fantasia, dentro da realidade da vida. Não fantasie porque o mundo é duro. Estamos trabalhando firmemente na empresa, tocando todas suas atividades. A gente trabalha loucamente. Mas meu grande propósito é que o corpo técnico da Petrobras saiba que nós estamos trabalhando fortemente para que eles tenham orgulho da nossa empresa. Eventos ruins não significam a empresa. E ainda mais estão sendo tratados, não tem nada adormecido.

A senhora acha que tantas denúncias tem algum fundo político?
Eu me abstenho disso. Não tenho elementos para dialogar sobre esse assunto. Leio sobre isso, mas eu não posso entrar num mundo que não é meu.

O momento é delicado?
Reconheço que é um momento delicado politicamente. Mas a Petrobras tem que se abstrair disso, ela precisa continuar sua luta diária para produzir mais óleo, mais derivados, para motivar a equipe, para viver no mundo real, para não falar o que não vai fazer.